quarta-feira, 13 de julho de 2011

Metanol Webradio + 4propri8 + AZRecs

Webradio Metanol.fm

Rádio online independente, traduzindo a atmosfera cinza de São Paulo em forma de música instrumental, experimental e eletrônica. Apresentada ao vivo por Akin, traz convidados para fazerem live sets além de apresentar produtores, projetos e sonoridades colaboradoras. O programa ao vivo acontece toda terça as 20hrs mas vc pode baixar também mix de outras edições.

Para conhecer/escutar/baixar a rádio e os programas AQUI!

4propri8_Mznu_Brian_Akin
(Imagem: Fred Mauro)

Durante passagem em SP, o Akin convidou 4propri8 + Azucrina Records para participar de um programa! Tivemos oportunidade de apresentar um pouco do selo, artistas, tracks, etc. Em breve teremos acesso ao programa todo e por enquanto, para ouvir um trechinho do Live com a participação do Brian (ex-Catharsis) que também estava de passagem pelo Brasil com a turnê do coletivo Crimethinc.

Para escutar um trechinho da gravação do live:


A rádio Metanol.fm e o Azucrina Records realizarão mais parcerias no futuro e cremos que podemos aprender muito com o pessoal sobre streaming e webradios! Aqui é a página da Metanol dentro do nosso site! brigada Akin!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Desconcerto

Desconcerto

Desconcerto é um projeto de Aruan Mattos, Flavia Regaldo e Manuel Andrade e consiste na gravação de áudio analógica [como a dos discos de vinil] só que manual e caseira.
A partir de uma agulha de catéter, um tweeter e muitas horas foi possível reproduzir manualmente gravações de áudio. O CD se mostrou perfeito como suport. Primeiro porque é redondo, liso e tem um furo no meio, depois porque existem aos montes e gratuitamente como descarte de uma sociedade consumista.

Desconcerto

Para além de um simples anacronismo sentimos que precisavamos de um conteúdo que nos conectasse com o a nossa realidade, com o nosso tempo, afinal estávamos usando CDs já obsolescidos para fazer gravações analógicas, que aos poucos vem retomando sua importância a despeito de todas profecias catastróficas do apocalipse digital.
Sendo assim, descemos para o centro da cidade em busca de referências sonoras da realidade e atualidade da cidade, entrevistando diversas pessoas que por ali trabalhavam, pedindo-as que falassem de seus cotidianos no centro, os caminhos percorridos, os pontos de referência.

Muito mais que isso, sem perceber, o doce e hulmilde velhinho das balas nos dá referêcias claras sobre as aberrações do ideal de justiça capitalista higienista que vê como um inimigo o ambulante que, criativamente, foge à ao esquema selvagem do famigerado "Mercado de Trabalho", adocicando, perfumando e coloriando as vias cinzas de uma sociedade decadente e mecanizada...

"Só o tempo da Jovem Guarda mesmo que a gente gosta mais, né? Todas elas do Rei, né? por exemplo é... aquela música “Quando” né? Que marcou muito naquela época da jovem guarda... a gente era muito jovem naquela época, né? Todo mundo queria ser cantor naquela época, né? (Risadas), não podia ver a pessoa cantar que a gente queria ser cantor também, via o pessoal famoso cantando, pelo rádio, a gente acompanhava, mas não tinha condições de cantar no interior, né?
Cantar , cantar não é comigo, não, meu négocio é so vender minhas balinha mesmo. Eu trabalho como ambulante, já tem uns vinte anos, tinha barraca, perdemo as barraca na rua, esparro da rua, fomo pro shopping não adaptemo no shopping porque... o aluguel era muito caro, na época, as mercadoria não vendia, a gente teve que se virar pra rua, né?
Só me vivo através dos meu cliente, são meus amigos, não são cliente, são meus amigos, é o que me dá a sustentação do pão de cada dia...
Aqui eu vou aqui na Santos Dumont, desço a Caetés, Avenida Amazonas, Espírito Santo, de vez em quando eu vou na Paraná mas não fico muito que os fiscal não deixa. Correria, toda hora tão atrás da gente, já pegaram várias vezes minha mercadoria, levaram não devolveram, abusam da gente quando pegam a mercadoria. A gente é muito discriminado pela rua a fora, porque a gente é ambulante, discriminação total pelo, pela parte da prefeitura, administração, nossos governantes também não olham pra pessoa mais carente.
Todo dia, de segunda a sábado, só descansa aos domingo. Quando não to andando eu to parado aqui nesse pontinho aqui, oiando prum lado e pro outro pra os fiscal não vir correndo atrás de mim. Quando eles chega eu tenho que sair correndo, e é a correria.
Hoje é 9 de novembro de 2010"

Efim... Desconcerto

9 de Novembro de 2010

Céu nublado. Saímos de Santa Teresa, em direção ao centro. Cruzando a Francisco Sales, um estranho acaso pôs em nosso caminho um velho mural de bar que, apesar de provavelmente ter sido trocado por um moderno "backlight" de lona, ainda registrava os preços atuais. Uma a uma, um a um, letras e números que jamais se obsoleceram, ficaram resgatados em nossos bolsos.

Desconcerto

Chegando à Sapucaí, já podíamos ver ligadas as fontes da Praça da Estação, o Edifício Itatiaia, o Galpão do 104 e as árvores ao longo do eixo que liga a linha de trem à Rodoviária. Escada abaixo, afundamos no solo e passamos por debaixo do último trilho que ainda transporta passageiros entre capitais do país, e assomamos, desta vez, dentro daquele cenário que antes só de cima víamos. Respingos da fonte refrescam a aridez da praça. E seguimos cruzando o rio por onde hoje não circula mais água, mas automóveis.

Na Rui Barbosa e ao longo da Santos Dummont pedimos às pessoas que cantassem uma lembrança. Em praça, em trânsito, entre corte de cabelos e escovas, balas e jabuticabas, espera no ponto, na lida do dia, afinados entre trabalhos e cantorias, ficaram saudades, apertadas nos ônibus.

No pedido, datas e referência ao cotidiano no centro, caminhos, ruas e circulacoes. Momento presente. Memórias.

A chuva engrossou.

***
Desconcerto

Dias e milimetros contados.

Macro e microgambiarras. Tico-tico, correias, madeira, polias e agulhas.


Desconcerto

Os primeiros sinais de som entre arranhoes e o grito Soy loco por ti america.
A Nega do cabelo duro marcou o seu falante. Nega, preta, neguinha...
Trilhas perdidas, ruido, novela. Música de chuveiro. E o Rei a confirmar sua glória.

Desconcerto

Ângulo certo, correr o risco na trajetoria lenta ao centro do disco. Uma agulha falante marca a superfície lisa dos que outrora eram chamados de CDs, constante obsolecencia.

O analógico atual sobre o digital anacronico. Estranha retrogradação.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Anooker e o Motor Homopolar

Um pequeno tutorial de motores homopolares ao som de anooker_live no ystilingue.

Motor Homopolar from Manuel Andrade on Vimeo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

4propri8 @ Sudamerica Experimental II - Santiago/Chile

Video registro do live no Chile ano passado.
Apropriações e gravações de audio e video da cidade de Santiago.

Te aburres de la rutina de la ciudad?
Porque luchar por la libertad es castigado como se fuera delito?




audio_4propri8
imagens_Carou Araújo.
video_chimbalab
sudamerica experimental

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Dobradura de Circuitos [ Oficina @ Espaço Impróprio_SP]

O Impróprio é um espaço (Anti)Cultural, autogestionário e anti-hierárquico que começou em junho de 2003. Localizado no Centro de São Paulo, o espaço vem oferecendo eventos com shows, palestras, debates, oficinas, vídeos, uma biblioteca, estúdio, lanchonete vegan e um bar. Durante os dias 22, 23 e 24 de abril de 2011, encerraram suas atividades com uma grande festa. A ideia foi juntar debates, palestras, shows, oficinas, exposições e performances de grupos independentes que participaram da trajetória do espaço ao longo desses 8 anos. Leia o manifesto de encerramento do espaço Impróprio e veja a lista completa de atividades aqui.

Oficina_Dobradura de Circuitos

Curto-circuito induzido e caminhos proibidos percorridos com solda são exemplos de ações e ideias que permeiam o universo do circuit bending. Através da modificação e `dobradura` das funções originais de equipamentos eletrônicos, brinquedos e outros circuitos sonoros criam-se novos instrumentos musicais, máquinas atrevidas e exercita-se formas de se perder a inocência quanto a presença e uso dos eletrônicos.

Oficina_Dobradura de Circuitos

Como material para a oficina, pegamos o pequeno manual de circuitbending desenolvido pelos amigos da Gambiologia e adaptamos para nosso enfoque. Cada grupo fez o seu objeto-monstrinho-eletrônico a partir de sucata da obsolescência programada. Surgiram uns hibridos de cdrom com mouse que faziam embaixadinhas mulancas, uma "calculetradora" de mensagens encriptadas por código nenhum, um carrinho de brinquedo que agora é ex-polícia, e, por ultimo, um sintetizadorzinho derivado de um cartão sonoro de brinquedo.

Hibrido CDROM + mouse


Calculetradora

Oficina_Dobradura de Circuitos


Ex-Polícia

Oficina_Dobradura de Circuitos

Sintzinho



Nada melhor que o fim de um espaço como esse para impulsionar a oficina de dobradura que parte do fim de objetos funcionais ou não para quebrar o gelo entre as pessoas e o universo eletrônico. Brincando durante dois dias de combinar e desprogramar a obsolescência.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

[Cobertura Bogotrax] Fiestas!


(Sticker do projeto "Sin pasado no hay futuro"que es una intervencion en el espacio publico y un workshopdo de Jon Irigoyen)

Seguindo a cobertura do Festival Bogotrax que aconteceu na Colômbia no mês de Fevereiro, vamos falar um pouco sobre as festas. Durante a primeira semana aconteceram os laboratórios e na segunda semana do festival, os eventos festivos. Não participamos de todas então fica aqui a deixa das que estivemos presente. A idéia das festas eram ocupação de espaços públicos, eventos gratuitos e line-up que incluissem convidados internacionais e artistas locais gerando colaborações espontâneas entre as partes.

carcer distrital
mulheres no carcer distrital
(fotos por Seppuku)

Cárcer Distrital

Vale dizer que existem algumas ações específicas do festival que nos foram novas e super interessantes como as festas nas cárceres públicas e na principal avenida da cidade que toda sexta feira é fechado o trânsito e acontecem vários eventos culturais. A festa na cárcere tem o intuito de levar a música eletrônica e experimental para os pátios internos dos presídios, gerar diálogo e quebrar barreiras entre a hierarquia interna de separação dos sexos. Além disso é uma oportunidade de levar alguns materiais, livros, músicas e contato para os internos que de outra maneira permancem isolados em seus regimes de detenção. Aproveito para apresentar os 2 Dj's que mais me marcaram em todo o festival. Seppuku (Mexico-EUA) e Kat BPM (Irlanda-UK). Elementos de dubstep, breakbeat, paisagem sonora, ambiências e atmosferas profundas povoaram os pátios cheios e silenciosos, latentes e pulsantes com o som tocado por esses dois. Muito combustível e reflexão para todos os presentes do festival, internos e policiais. Ao final, todos estavam dançando, comparando as tatuagens e os policiais relaxados se divertindo com os presos e os convidados. Algo realmente muito incomum dentro da relação diária da cárcere.

DJ Bpm _ Irlanda_prisao de mulheres
(Kat BPM)
Festa na prisao municipal
(Rachel, guardas, prisioneiros. não da pra saber quem é mais ou menos marginal por aí! rs)
Seppuku Dubstep _ EUA, Mexico
(Jairo - organizador Bogotrax + Sepukku)

Septimazo

2 tendas com 6 ou 7 djs tocando. O pessoal de Bogotá da cena hip hop mandou super bem improvisando com os djs italianos. O mais forte no entanto foi o tímido franco-vietnamita Antoine a.k.a. Kolektor que explodiu as mais de 1000 pessoas que ocuparam as ruas com seu breakbeat-core rapido, inteligente, quebrado e dançante.

Septimazo_festa na rua principal de bogota
Kolektor @ Septimazo Bogotq_ El mejor!
(Kolektor)

Surpresas continuaram a acontecer quando a já conhecida produtora de hardcore eletrônico Lady Zunga representou e apresenteou a força Queer e Trans-gênero com seu set pesado e também explosivo. Levou a galera ao delirio com seus remixes e também, com sua performance e figurino, que no final foi a baixo revelando que o homem que existia por detrás do macacão feminino era muito mais sensível que muita mocinha montada por aí. rs

Septimazo_Lady Zunga_
(Lady Zunga)


Centrocultural-okupa 15-16

Aconteceram as apresentações mais experimentais. Foi aí que entrei em contato com Antonella a.k.a Anna Bolena, fundadora do selo Idroscalo Digitale da Italia. A melhor música industrial que escutei em muuuuuito tempo. Muito profunda, timbrada maravilhosamente. Ela tb nos apresentou ao Fire At Work, Fabrício, profundo conhecedor da cena underground no Brasil. Advinhem quem é seu favorito por aqui? "Vc conhece o Retrigger?" rs Bueno, foi no 15-16 que fiz o set 4propri8 junto com o visuais de Constanza Piña, amiga e parceira com o coletivo Chimbalab do Chile. Nesse dia se apresentou também nosso querido pai do circuit bending Panetone a.k.a Cristiano Rosa.


4propri8 + Cony Pina_Brasil+Chile
(4propri8 + Chimbalab)

Boogaloop


é um clube/estúdio/centro cultural cuja dona é uma das organizadoras do Bogotrax, Alix. Por lá aconteceram várias festas além de workshops. Esse é um espaço que tem o tradicional espaço para as festas, palco, etc, porém, no background, tem um puta estúdio de gravação e de aulas de áudio, software e música eletrônica. Então, a galera que toca por aí, tem a oportunidade de mixar e masterizar suas produções, levar as músicas, trocar, inventar suas oficinas e muito mais se passa atrás daquelas portas. rs. As festas começam geralmente as 22, 23 horas, mas, antes disso, as portas abrem as 19horas e o local é tomado por feiras de zines, stencil, discos, etc. Realmente muito diferente das nossas "buates" por aqui.

Boogaloop Bogota
(Boogaloop)
sonido y imagenes


Ciudad Bolivar


ciudad bolivar

Esse evento é na real organizado pelo pessoal do hip-hop que convida o pessoal da música eletrônica para participar também, geralmente discotecando jungle e drum and bass e as vezes, fazendo as bases para as rimas e as breakdances. O mais impressionante foi o encontro de gerações e a colaboratividade. Tinha break dancers e rappers de 10 anos de idade até 40 e tantos.

geracao apos geracao
muito o q dizer pra comunidade
IMG_4422

Todos ajudaram do inicio ao fim montando desde o cenário, projeções, etc até organizando a comunidade para o rango comunitário que fizemos ao cair da noite e do frio na Ciudad. FOOD NOT DRUGS.

todos ajudam
ciudad bolivar _ hiphop jungle_bogota

Fiesta del Cierre de Bogotrax





Uau. Essa foi super fuerte. O pedaço da cordilheira dos Andes que é limítrofe a Bogotá tem quase 4000m de altitude. A festa foi uma rave a moda antiga em um terreno-sítio atrás dessa montanha. Na ida já tive um pouco de medo pois não parávamos de subir, subir, subir em meio a escuridão rarefeita. No início da festa o frio era tanto que não conseguíamos sair da lareira onde estavam os equipamentos e o backstage. Eventualmente saimos para ver alguns amigos tocarem como Mike The Tunk (Alemanha) que mandou suuuuuper bem. O cara é beat tester da Native Instruments, então dá pra imaginar a qualidade das produções dele.




(Mike The Tunk)

A festa lotou muito. Caronas, caminhões, onibus, não paravam de chegar. Gratuito, boca a boca, sem divulgação de mapa. Impressionante como táticas de festas subversivas funcionam e deveriamos usar e abusar delas mais que curtir tantos eventos no facebook. Deviam ter + - 1200 pessoas ocupando todos os espaços. Passou tudo muito rápido e somente pela manhã, quando a temperatura melhorou começamos a ter noção do espaço onde estávamos, das barracas, da vista, dos amigos perdidos no labirinto das ruínas onde era a festa.


(Nina pulando o muro para transitar entre as dancefloors)


(bom dia montanhas ancestrais!)


(Cordilheira dos Andes do topo de Bogotá! Como no final de toda festa eletrônica, uma caminhada básica e introspectiva pelas montanhas)

coisas veias